quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Philip Seymour Hoffman

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
Quando o Philip Seymour Hoffman faleceu eu percebi o quanto gostava dele mesmo tendo assistido  poucos filmes em que ele atuou. Corri para o Netflix e coloquei todos os filmes que tinham ele na minha lista. De todos que assisti três me chamaram muito a atenção pela sua interpretação. Como é possível uma única pessoa conseguir ser tantas outras? 

Quando pensei nessa categoria do blog imaginei que desenharia somente pôsteres de filmes "fofos" mas a verdade é que eu nunca fui muito fã de filmes "fofos". Meus filmes favoritos tem muito sangue, mistério e drama. As vezes assisto a um bom "mamão com açúcar", não sou de ferro. Tento não me prender a um único gênero. 

Passar isso para o papel tem se tornado um desafio. Estou muito feliz por me dedicar a esse novo projeto porque ele tem aberto meus horizontes na ilustração. Apesar das pessoas reconhecerem os meus traços, eu nunca me forcei a ter uma identidade nas minhas ilustrações.  Tento sempre desenhar de forma diferente para sair da minha zona de conforto. Estou muito orgulhoso do resultado dos pôsteres. 

De todo, Capote foi o meu favorito, apesar de ser o que desenhei mais rápido. Doubt foi muito difícil de desenhar porque essa iluminação rembrandt dificulta criar os contornos. Como Doubt foi muito difícil (e eu sinceramente não gostei muito do resultado) vou procurar desenhar mais coisas parecidas para poder melhorar. Gostaria de estudar mais sobre essa iluminação nas ilustrações. Mary and Max também não foi fácil. Foi o que eu mais demorei desenhando e colorindo. Fiquei muito orgulhoso do pôster pela similaridade com o original. Mas vou parar de enrolar e ir direto aos filmes.
Capote
Capote • Trailer

Em novembro de 1959, Truman Capote (Philip Seymour Hoffman) lê um artigo no jornal New York Times sobre o assassinato de quatro integrantes de uma conhecida família de fazendeiros em Holcomb, no Kansas. O assunto chama a atenção de Capote, que estava em ascensão nos Estados Unidos. Capote acredita ser esta a oportunidade perfeita de provar sua teoria de que, nas mãos do escritor certo, histórias de não-ficção podem ser tão emocionantes quanto as de ficção. Usando como argumento o impacto que o assassinato teve na pequena cidade, Capote convence a revista The New Yorker a lhe dar uma matéria sobre o assunto e, com isso, parte para o Kansas. Acompanhado por Harper Lee (Catherine Keener), sua amiga de infância, Capote surpreende a sociedade local com sua voz infantil, seus maneirismos femininos e roupas não--convencionais. Logo ele ganha a confiança de Alvin Dewey (Chris Cooper), o agente que lidera a investigação pelo assassinato. Pouco depois os assassinos, Perry Smith (Clifton Collins Jr.) e Dick Hickock (Mark Pellegrino), são capturados em Las Vegas e devolvidos ao Kansas, onde são julgados e condenados à morte. Capote os visita na prisão e logo nota que o artigo de revista que havia imaginado rendia material suficiente para um livro, que poderia revolucionar a literatura moderna.

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Não vou mentir que no começo do filme achei o personagem um pouco forçado e até pensei em desistir do filme. Aquela voz é insuportável. Foi na cena do trem que o personagem me conquistou. Nesse filme percebi o quanto gostava de drama e torci para os suspeitos serem inocentes. Philip está sensacional nesse papel. Em algumas cenas o personagem se solta um pouco e você consegue simpatizar com ele. Da para imaginá-lo fazendo parte do seu ciclo de amizades. É um bom filme.
Doubt
Doubt • Trailer

1964. O carismático padre Flynn (Philip Seymour Hoffman) tenta acabar com os rígidos costumes da escola St. Nicholas, localizada no Bronx. A diretora do local é a irmã Aloysius Beauvier (Meryl Streep), que acredita no poder do medo e da disciplina. A escola aceitou recentemente seu primeiro aluno negro, Donald Miller (Joseph Foster), devido às mudanças políticas da época. Um dia a irmã James (Amy Adams) conta à diretora suas suspeitas sobre o padre Flynn, de que esteja dando atenção demais a Donald. É o suficiente para que a irmã Aloysius inicie uma cruzada moral contra o padre, tentando a qualquer custo expulsá-lo da escola.

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Esse filme é um pouco mais denso porque aborda a pedofilia na igreja católica. Desde que vi o pôster fiquei intrigado com o filme e não sabia sobre o que se tratava. Eu geralmente não procuro saber a sinopse dos filmes que assisto porque gosto de ser surpreendido. Assisto qualquer tipo de filme, menos os que tem demônios. Esse filme é excelente. Ótima fotografia, diálogos e figurinos. Você fica cheio de dúvidas o filme inteiro e ele termina de uma ótima forma. Se o final fosse outro o filme seria ruim. Philip vestiu o personagem. Consegui enxergar a personalidade de um padre nele pelo o que conheço dos padres. A alguns anos atrás fiz alguns trabalhos com ilustrações para a igreja católica e tive padres como clientes. Não generalizando, eles são parecidos com o que Philip interpretou. 
obs: Não estou acusando padres de pedofilia.
Mary and Max
Mary and Max • Trailer

Uma história de amizade entre duas pessoas muito diferentes: Mary Dinkle, uma menina gordinha e solitária, de oito anos, que vive nos subúrbios de Melbourne, e Max Horovitz, um homem de 44 anos, obeso e judeu que vive com Síndrome de Asperger no caos de Nova York. Alcançando 20 anos e 2 continentes, a amizade de Mary e Max sobrevive muito além dos altos e baixos da vida. O filme é uma viagem que explora a amizade, o autismo, o alcoolismo, de onde vêm os bebês, a obesidade, a cleptomania, a diferença sexual, a confiança, diferenças religiosas e muito mais.

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Esse filme é tão bonito. Eu decidi assisti-lo por ser um stop motion (todos sabem o quanto sou fã de animações em stop motion) mas fui surpreendido pelo tema abordado. Descobri o que era Síndrome de Asperger assistindo Parenthood onde um personagem que também se chama Max sofre com ela. Desde então tenho me interessado muito sobre esse assunto. A Síndrome de Asperger é muito frágil e esse filme aborda o assunto de forma super delicada. Além do humor diferenciado, gostei do filme por ele ser uma troca de cartas. Adoro livros e filmes que são narrados dessa forma. Apesar de não gostar muito quando deixam a cena em preto e branco e somente alguns objetos coloridos, eu entendi o motivo por terem usado tanto isso nesse filme. Philip mais uma vez mostrando um de seus muitos lados e deixando o personagem rico e impecável. 

Eu sei que esses posts andam muito grandes e chatos de serem lidos, mas espero que entendam que isso tudo tem sido muito enriquecedor para mim. Além de ver filmes e colocar minha mente para trabalhar relembrando tudo o que aprendi na minha faculdade de fotografia, tem sido uma terapia desenhar esses pôsteres. Tenho preenchido meu tempo livre e minha mente com coisas que eu amo. Vou continuar praticando até chegar no meu melhor.

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